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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Histórias de Adoção: Mingau



Por Alinne Kelly

Olá, me chamo Alinne, e sou mãe de Mingau (um gatinho lindo). Gostaria de dividir com todos a experiência de adoção de gatos que eu tive em minha vida... tudo começou assim: Uma amiga me falou do projeto dela e mais alguns amigos que resgatavam bichinhos da rua para ajudar, então me mostrou o orkut com alguns animais que estavam para encontrar um lar. Dei uma olhada no orkut sem compromisso e sem interesse de ficar com algum bichinho, fui só para conhecer o trabalho mesmo. Mas aí, quando me deparei com um gatinho todo mimoso, me apaixonei, foi amor de mãe e filho "a primeira vista", rsrsrs...Resolvi adotá-lo imediatamente. Respondi questionários, e até que enfim, recebi a resposta que eu estava apta a ficar com o gatinho, nossa! mas quanta felicidade a minha quando soube que em alguns dias eu o teria comigo. Parecia que estava mesmo adotando um  filho, e hoje é isso mesmo que ele é pra mim, o meu primeiro filhinho. 


Meu pai e eu nos apegamos muito rápido e fácil a Mingau, e ele a nós, mas por força da vida, meu pai nos deixou um mês depois que Mingau chegou em nossas vidas, fiquei tão arrasada e com uma dor muito grande no peito, acho que meu gatinho sentiu isso por falta do vovô que ele adorava brincar e por me ver triste, pois ele não desgrudava de mim, sofremos juntos a dor da perda. Desde isso até hoje, Mingau se tornou para todos da minha familia um membro que também precisava muito de carinho e cuidado. Minha mãe, meu irmão, todos nós o adoramos. É minha companhia, meu carinho, minha preocupação, meu cuidado de vida...As pessoas até riem de mim aqui algumas vezes, mas não me importo, bichinho irracional, não é lixo, não merece ser maltratado, muito menos desrespeitado. Só sente o que eu sinto por ele quando se tem por perto uma convivência como a nossa.


Mingau hoje é tudo o que eu tenho, cuido dele como um filho, e sinto que ele também tem amor por mim, vejo isso na prática quando fico muito tempo longe em viagens, quando volto ele não sai de perto de mim, coisa mais fofa. Então é isso, adotar um bichinho requer compromisso, e muito muito amor, no entanto, quem adota um bichinho recebe carinho de volta e uma dependência de você gostosa de se sentir especial pra alguém tão "pequenino". Eu adotei Mingau e não me arrependo nunca, pelo contrário, foi a melhor coisa que me aconteceu, e agradeço todos os dias a Deus, por ter colocado na minha vida as pessoas que me entregaram ele, peço a Deus que os abençõe para que possam fazer outros bichinhos e lares felizes. 

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domingo, 25 de dezembro de 2011

HISTÓRIAS DE ADOÇÃO: PANDINHA



Por Mayara Fernandes.

Em abril de 2009, tinha acabado de passar por um processo de mudança na minha vida. Morava sozinha e já tinha 2 gatinhos adotados e estava com muita vontade de adotar mais um, ou uma, pois sempre via no site vários gatinhos precisando de ajuda e como eu morava sozinha, nao via motivos para não tê-los me fazendo companhia e ajudar esses filhotes que precisavam tanto de carinho. Foi quando conheci a Panda.

Uma gatinha meio difícil, no começo adorava me morder e batia nos irmãozinhos... Acho que ela nasceu pra ser rainha! Mas adaptou-se rápido no meu pequeno apartamento, e os irmãos respeitavam o espaço dela. Infelizmente, um ano depois da adoção, tive que me mudar pra um apartamento onde já moravam outras pessoas que não queriam gatos de jeito algum! E eu, com o coração na mão, imediatamente corri para minha avó materna, que se prontificou a acolher e cuidar dos meus gatinhos. No começo ela não gostava muito, mas com o tempo foi se apegando. Isso foi em Janeiro de 2010.

Os dois gatinhos machos foram doados a uma vizinha da minha avó, uma senhorinha que cuida de vários gatos e tem vários bichanos todos castrados e super bem cuidados. Eles já estavam passando muito tempo lá pela casa dela, devido a abundância de ração que ela servia para os gatos da casa dela e os bonitinhos invadiam e roubavam, e como ela se afeiçoou a eles, pediu a minha avó para adotá-los e ela deixou.


Mas a Panda, a Panda não pensava em sair daqui!

Sendo uma gatinha já castrada, ela sempre foi muito caseira. Nunca andou pela rua, NUNCA! Mesmo morando em uma casa aberta, ela ficava por aqui, dormindo, passeando no quintal (que é bem grande) e vez por outra eu vinha vê-la! E a cada dia que eu visitava, parecia que minha mãe, minha avó e meu padrasto estavam cada vez mais apaixonados por essa Pandinha!

Minha mãe, que nunca gostou de gatos, só comprava para ela as melhores rações, cuidava como um bebê, e a Panda só andava atrás dela.

Meu padrasto que sempre gostou de bichos se apaixonou.

Minha avó que sempre teve cachorros e nunca teve gatos, começou até a bater altos papos com a Pandinha, uma graça!

Essa gatinha, mesmo com seu jeitinho meio 'brabinho' e sua mania (nunca consegui tirar dela essa mania) de gostar de dar umas 'mordiscadas' quando está brincando, é a coisa mais fofa e deliciosa da casa da minha avó.

E hoje, em Dezembro de 2011, sou feliz em dizer que voltei a conviver com minha gatinha! Estou morando na casa da minha avó, com minha Pandinha! E ela agora só anda atrás de mim, dorme no meu quarto (embaixo da cama...kkkkkk) e até me espera na porta do banheiro quando tomo banho. Essa peluda é uma companheirona!

Amo muito a Pandinha, apesar da sua personalidade 'individualista' e 'reservada', ela sabe dar carinho na hora certa. Quando tudo está calmo e eu estou na sala vendo TV tarde da noite, pode apostar que ela vai pular no meu colo ronronando dando e pedindo carinho. Uma verdadeira filhota!

Hoje penso em adotar outra gatinha fêmea (minha avó prefere as fêmeas), para fazer companhia para ela.

E digo a todos: Não comprem bichinhos, adotem! Existem vários animais que precisam de ajuda, de cuidado, de carinho. E não vale a pena apoiar os 'criadores' que muitas vezes usam cachorras como 'úteros' somente para procriação', então ADOTE! Os animais abandonados podem ser tratados, cuidados e com todo o carinho do mundo, eles podem ser o animalzinho dos seus sonhos! Se você tem espaço, se você tem condições e tem AMOR NO CORAÇÃO, ADOTE UM BICHINHO! E espero que você seja tão feliz quanto eu sou com a minha Pandinha!

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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

HISTÓRIAS DE ADOÇÃO: NINA, MINHA RAPOSINHA MAGRICELA.



 Por Ingrid Garcia

Histórias de amor são fáceis de escrever, mas não sei por onde começar quando se trata do amor que sinto pela Nina. Há alguns meses atrás, após 23 anos morando com meus pais, decidi bater asas, procurar um lugar que fosse só meu. No começo foram mil maravilhas, tinha uma casa pra chamar de minha, onde as coisas estavam sempre onde eu tinha deixado, não brigava porque tinham mexido em minhas coisas, ou porque quebraram isso ou aquilo. Na mesma época em que me mudei, parecia que tudo conspirava ao meu favor e acabei encontrando o emprego dos meus sonhos, por causa dele trabalhava o dia inteiro e só chegava em casa ao final da tarde.

Depois de um certo tempo nessa rotina, morar sozinha, e estar sempre só começou a me parecer a pior das situações. Tem horas que a única coisa que você quer é chegar na sua casa e ter alguém te esperando.
  
Pois bem, iniciei então um levantamento de possibilidades para comprar um bichinho, isso mesmo comprar. Nem passava pela minha cabeça essa história de adotar, na minha cabeça preconceituosa colocar um animal dentro de casa do qual você nem sabe de onde veio, seria o mesmo que dormir e quando acordar ele ter comido sua casa ou um braço seu. Ridículo, eu sei.

 Sempre tive um coração bondoso, também sei disso. Mas adotar bichinhos de rua ainda era um obstáculo a ser vencido. Procura vai, procura vem, pesquisa preço dali, olha cachorrinho daqui, que raça eu quero, qual a cor, peludinho, pequeno, fêmea, macho... Até que um dia vi o link desse blog aqui, cliquei, só por curiosidade. Queria saber como funcionava essa história de pegar cachorrinhos na rua e levar pra casa, apesar de tudo sempre me partiu o coração vê-los por muitas vezes em estados de saúde tão debilitado, e na minha cabeça nada poder fazer.

Entrei no site, e comecei a olhar fotos, depoimentos, comentários de pessoas, e aquilo foi mexendo comigo de uma forma que sinceramente, não sei explicar. Vi alguns depoimentos que cai no choro, aqui mesmo onde trabalho. Li muito sobre a gratidão dos animais adotados, sobre a devoção, o carinho, o respeito e aquilo tudo foi me despertando uma vontade de não mais comprar, não via mais sentido em pagar por um animal que provavelmente não faltaria futuros donos - afinal quem não se apaixona por filhotinhos de raça? - Eu só enxergava a necessidade que alguns bichinhos tinham de conseguir um lar, e na mesma hora decidi que era isso que eu iria fazer, levar um deles pra casa. Mas qual? Quem era eu para decidir qual deles merecia ganhar um lar primeiro? Tantas histórias, tanta dor, uns tão pequenos que eu não sabia como tinham suportado um sofrimento tão grande.

Até o momento em que bati os olhos na foto daquela magricela com cor de caramelo, que tinha rabo de raposa e uma carinha de quem carregava o peso do mundo nas costas. Foi amor, amor a primeira vista. Tenho vontade de chorar, porque me falta muitas palavras para descrever o que eu sinto quando me lembro do momento que vi a foto da minha princesa pela primeira vez. Fiz contato com a até então responsável da Nina, a  Crys Dorneles, trocamos e-mails, telefone, preenchi formulários e chegou o dia de buscar a minha pequena no hospital. Após quase um mês internada, acho que ela merecia ir pra casa nova o mais rápido possível. Hoje, dia 07 de Dezembro de 2011, fazem 9 dias que a Nina está comigo.

Minhas coisas quando eu chego em casa não estão mais no mesmo lugar, a Nina comeu até o meu controle remoto. Hoje faço compras em pet shop, babo por coleirinhas coloridas, ossinhos em formatos mais engraçados do mundo. Divirto-me a cada dia com uma carinha nova, uma expressão engraçada que a Nina fez. Limpo xixi, cato cocô, levo para passear, o tempo que tenho livre é todo dela. Compro biscoitinhos, cato meias pelo meio da casa, tudo isso com muito amor e paciência. Mas o principal, a melhor parte, é quando eu chego em casa, hoje eu tenho a minha Magricela, a minha raposa, a minha princesa, a minha linda me esperando.

E hoje eu tenho alguém por mim, e eu muito mais por ela. Entendi perfeitamente o significado das palavras gratidão, devoção e amor por quem te deu a mão. Meu aniversário é amanhã, dia 08, a Nina foi o melhor presente que o mundo podia me dar.


No Brasil existem milhões de animais abandonados, não faz sentido comprar um. Adoção é a opção do amor!

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

MEL. ADOTADA E MUITO QUERIDA!
























Gente, olha só que e-mail legal que eu recebi ontem (16/11) pela manhã:

"Oi!

Quero compartilhar com vcs que adotei uma cadela de nome "Pretinha" , descoberta aqui neste blog.
 
Liguei para Denise. Pretinha foi abandonada na rua e fui fazer o resgate.

Foi amor à primeira vista. Ela é doce, super carinhosa. Por causa disso mudei seu nome para Mel, porque combina muito bem com seu temperamento. Já está bem adaptada, mas temos cuidado ainda para ela não fugir, já que passou tempos na rua.
 
Adora rasgar livros, revistas, jornais, mas aos poucos vamos educando.

No começo ela tinha medo do meu marido, creio que deve ter sido maltratada. Só em pegar a guia para passear ela ficava amedrontada.

Agora já está mais confiante e é muito brincalhona. Ainda está aprendendo a brincar com bolinhas...rsrsrs

Estou muito feliz.

Mando as fotos do primeiro dia que ela chegou e 7 dias depois. Vejam a diferença.

Continuem fazendo esse trabalho. É muito gratificante." 
Graça

Realmente é muito gratificante, Graça! Ganhei o meu dia com seu e-mail! : ) (Marcelo)

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sábado, 29 de outubro de 2011

SE VOCÊ NÃO TEM UM CÃO, NÃO SABES QUEM TU ÉS.

Mimi

 Por Andrelúcio Ribeiro

Não faz muito tempo, lá em casa eu era o ser vivo mais paparicado do pedaço. Porém, eu tenho um coração muito caridoso, altruísta, cheio de espaços que cabem sempre uma boa ação – não que eu seja perfeito.

Era um domingo, já era noite, e observei um cachorro magrinho sentado do outro lado da rua. Ignorei, entrei em minha casa e fui ver um programa na TV. Cerca de duas horas depois, vou à calçada e encontro o cachorrinho deitado na calçada do vizinho, sob o carro dele. Decidi ir lá e oferecer algo para ele comer: joguei pão e presunto. Surpreso, vi que ele rejeitou e parecia ter medo de mim. Preferi ir embora para casa, já era tarde e no outro dia eu precisava ir trabalhar.

Três dias após este episódio, eu encontro o mesmo cachorro de olhar triste. Ele estava na rua, não andava tão firme nem latia, tinha o pelo ralo, unhas grandes e externava dor. Ao tentar contato, observei que era uma cachorrinha.  Tive o desprazer de notar um tumor na genitália daquele animalzinho, era horrível.

De repente, começava ali um novo capítulo na minha vida. Novato na empresa, e ainda com salário de experiência, pagando dívidas da época em que estava desempregado, eu não poderia arcar com os prováveis custos pecuniários que o tratamento exigiria. Eu já tinha comprado ração Pedigree, Purina, deixava parte do meu almoço para ela comer. Mas os dias passavam e a ferida não minimizava. Passaram-se duas semanas, e eu peguei o carro de minha tia emprestado para ir ao Nordestão. Quando eu saí, notei pelo retrovisor, aquela cachorrinha debilitada tentando correr e seguir o carro. Eu já estava com o coração partido, já estava arrasado o suficiente para impor em meu próprio coração uma coação moral e uma cobrança arrefecedora sobre a minha consciência. Ela, a cadelinha triste, já havia me seguido por dois dias na parada de ônibus – quando eu saía para trabalhar às 6 e 30hs da manhã. O olhar expressivo dela transmitia sentir dor, fome e um pedido de ajuda.

Fui deitar, não consegui dormir, imaginava a dor que ela sentia, era um tumor que tinha o tamanho de um sabonete. Ela já não queria comer, não olhava para mim com um jeito “pidão”. Então, resolvi colocar a foto dela na internet, contando com a ajuda de um amigo. Meus familiares perguntavam o que eu tinha, se estava mal da saúde, o que havia em mim de tão preocupante. 

Foi quando surgiu a indicação de um blogueiro (perdoem por esquecer o nome dele), cedendo um número de telefone de um anjo, é isto mesmo, um anjo que está na terra. Imediatamente, liguei para esta pessoa sem saber como eu seria atendido. Coincidência, ou não, era o aniversário desta pessoa!

Para a minha sorte, fui muito bem atendido, ela se prontificou a ajudar, disse que assumiria a situação, ela me deu um presente de Natal ( Na verdade foi o segundo, pois o primeiro presente de Natal eu havia ganho na empresa, quando consegui brinquedos e alimentos para o Gacc ). Fiz uma vaquinha com os amigos e arrecadei uma quantia para o início do tratamento.

A cadelinha foi resgatada, levada para uma clínica em Mirassol, foi tratada – inclusive com quimioterapia -, renasceu para o mundo e ficou para adoção. Fiquei separado por meses, sendo que todos os sábados eu a visitava e levava um pacote de ração. Ela me lambuzava todo e a despedida era um chororô dela e uma dor em mim. Por morar em um kit net, com 16 metros quadrados, ficava inviável a adoção por minha parte, nem móveis tenho. Eu precisava convencer os meus familiares (moradores da casa da frente, e relutantes a ideia de criar animais) de que a cadelinha ficaria só por um tempo, e se não desse certo poderíamos devolver para a clínica – era tudo mentira minha.

Em junho deste ano, Mimi veio para a minha casa, onde demonstra ser uma cadelinha meiga, educada e alegre. Seu focinho é semelhante ao de uma raposa. Tenho enfrentado problemas com a faculdade, com a escassez de tempo, com o capitalismo, com a saúde de parentes próximos. Mas em nenhum momento eu me senti tão bem acompanhado. Desde a minha chegada em casa, quando ela faz questão de demonstrar carinho e subserviência, passando pelos horários exatos do lanche e do sono, até a hora da minha saída ( quando ela murcha as orelhas e fica deitadinha me olhando ), Mimi tem mostrado o que é lealdade e companheirismo.

Eu, que já sofri com depressão após a morte da minha mãe-avó. Que já fui injustiçado inúmeras vezes em concursos ou empresas que trabalhei, que sofro com oscilações de peso, aprendi que a grandeza das coisas na vida é enxergar a pequenez da minha ignorância humana, e ceder à minha alma a essência da inocência da vida. Aprendi que a minha terapia veio à mim, em forma de um ser que parece depender de mim, mas que me ensina diariamente como respeitar e amar. Situei-me no universo, esqueci o senso comum de que animais são problemáticos e observei a realidade de que animais são necessários e cúmplices eternos.

Em casa, não sou mais o ser vivo que sofre paparicações, perdi esta posição, pertence a ela. Não passo mais pelas seção de rações de forma desproposital. Não uso mais a foto do meu time no celular, nem consigo olhar para um cãozinho na rua do mesmo modo que antes.

O tumor que sumiu dela, graças a ajuda do anjo e das pessoas que formam a equipe da clínica, levou junto com ele alguns sentimentos como indiferença e intolerância. A quimioterapia sanou a doença e implantou em meus pensamentos a sensação de que ainda não acabou, estou só começando. Aprendendo a ser feliz com uma cadelinha, esquecendo o cansaço e a falta de tempo, amando-a como uma criança ama o seu cãozinho, brincando como um cãozinho com outro, e comportando-se como um ser humano tem que se comportar: com o coração aberto aos sentimentos humanos.

Se você não tem um cãozinho, então chore. Pois, não sabes ainda quem tu és!

 Este texto vai como uma homenagem para Dona Elaine e seu marido André (ambos são os anjos citados), vai para toda a equipe da Policlínica Veterinária Dr. Tarcísio Barreto (Cláudia, Dra. Cristiane, Dr.Tarcísio e o restante do pessoal), em Mirassol, onde eu pude ver um trabalho com amor.

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

A HISTÓRIA DE UM CÃO MUITO ESPECIAL.


Recentemente tenho publicado várias histórias de adoção neste blog e outro dia estava recordando de uma história fantástica, de um cão labrador, chamado Zulu, que morava numa casa vizinha a de meu pai. 

Tive oportunidade de conhecer a sua tutora, Vivian, e estive com Zulu algumas vezes. Era um cão adorável e feliz. Outro dia eu e Cristiane (casada comigo) encontramos Vivian num shopping e fiquei pensando em pedir o seu depoimento sobre Zulu, mas fiquei na dúvida se ela já havia me cedido um depoimento na época em que eu buscava conteúdo para o futuro site da ONG Amimais, da qual fiz já fiz parte, bem lá no início. Sei que acabei não tocando no assunto, mas fuçando na internet consegui resgatar dois textos que contam essa bela história, que merece ser contada.

Zulu é um exemplo não só para os nossos amigos caninos, ele é uma lição de vida para todos nós. 


A HISTÓRIA DE ZULU FOFINHO

Por Vivian Marassi*

Lembro-me como se fosse hoje o dia em que recebi um e-mail da SOZED (Sociedade Zoófila Educativa), que me tocou profundamente, pois pedia ajuda financeira para a cirurgia de um cãozinho que havia sido atropelado e estava com a coluna fraturada. Fiquei emocionada, pois segundo relatava o e-mail, o cãozinho tinha ficado muitas horas jogado na rua após ter sido atropelado, sem que ninguém o socorresse.  Apenas à noite é que uma alma caridosa resolveu ajudá-lo - esse anjo era uma voluntária da SOZED, Jacqueline, que chamou a presidente da instituição, Maria, para juntas fazerem o resgate. A essa altura, os dentinhos daquele cãozinho já estavam pretos por causa da fuligem da rua, mostrando que ele já estava ali agonizando havia muitas horas. Zulu Fofinho.

Dois dias depois, recebi um novo e-mail da SOZED avisando que a cirurgia havia sido um sucesso, mas que, infelizmente, o Zulu nunca mais voltaria a andar. Anexado ao e-mail veio uma foto dele, deitado em um cobertorzinho, de fralda, brincando com um bonequinho do Flamengo. Foi paixão à primeira vista e, a partir daí, movi mundos e fundos para adotá-lo!


Assim que ele se recuperou da cirurgia, acertamos que ele viria do RJ para Natal de avião. Em junho de 2004, finalmente chegou o dia do grande encontro! Eu e meu marido fomos buscá-lo no aeroporto. Ele saiu da caixa de transporte se arrastando, estava faminto e com muita sede. Chorei ao abrir a sua malinha: ali estava o bonequinho do Flamengo, seus remedinhos e um vidrinho com o seu perfume. Os funcionários da VASP perguntaram se a paralisia era efeito de algum sedativo aplicado antes da viagem... ficaram muito emocionados quando dissemos que não, que ele era mesmo paraplégico. Logo juntou gente à sua volta e recebemos ajuda de todo tipo: um arranjou um copo com água, outro arrumou um plástico para que ele não sujasse o carro, outros ajudaram a guardar a caixa de transporte na mala do carro...

Ele nos ensina que não importa se você é branco ou negro, se tem ou não deficiência física, se é judeu, católico ou árabe, se é pobre ou rico, enfim... o que importa é a essência, o que está no seu coração. Ele nos ensina também que não importa quão grandes sejam as dificuldades que temos na nossa vida, pois sempre podemos superá-las para sermos felizes. Enfim, a música que mais combina com o Zu é aquela do Balão Mágico que diz: "Mas se é amigo, não precisa mudar"! ( www.videolog.tv/zulu ) Agradeço à SOZED por nos ter permitido adotar esse anjinho que mudou as nossas vidas para sempre!


* O texto acima foi publicado no http://www.slideshare.net/sozed/divulgao-da-sozed


       Vídeo de Zulu na praia


MAS SE É AMIGO, NÃO PRECISA MUDAR **


20/01/08

Por Vivian Marassi

Amigos, não sei nem como dar essa notícia tão inesperada e dolorosa... Agora de manhã o nosso querido Zulu atravessou a ponte do arco-íris. Não sabemos o que houve e ainda estamos muito atordoados, foi muito inesperada essa partida dele, já que ele estava tão bem. Ele continuava com aquele problema da possível necrose dos ossos da coluna, mas a ferida estava praticamente fechada e tínhamos marcado para o dia 14/02 a cirurgia dele com o Dr. Ragnar, em Petrópolis.

Ontem cheguei a ir à TAM para trocar as milhagens pela passagem do meu pai, que iria acompanhá-lo durante a estada em Petrópolis, mas não deu certo porque os funcionários estavam trabalhando somente na Megapromo, não estavam trocando milhagens. Fiquei de voltar lá amanhã. Também me programei para escrever no flog nessa semana, pedindo indicações de pousadas em Petrópolis... Enfim, estava tudo muito bem e tínhamos toda a esperança do mundo de que ele ficaria curado. Aí vem essa notícia terrível...

O meu pai acordou cedo e escutou o Zu andando no quintal, como fazia todas as manhãs. Ele se vestiu, desceu e foi direto ver o Zu (ele cuidava do negão antes de qualquer coisa, deixava para tomar café depois disso). Viu o Zu dormindo no corredor, no lugar onde ele sempre dormia. Começou a mexer com ele, já que o Zu sempre corria para a porta ao menor sinal de barulho feito pelo meu pai. A essa altura, meu pai acreditou que ele estivesse dormindo profundamente, então resolveu tocar nele. Só então ele percebeu que havia algo errado e que o Zu havia falecido. A gente acredita que ele faleceu logo após o meu pai acordar, tanto que ainda estava bem quentinho. Meu pai logo ligou para mim e eu corri para lá. Ele ainda não acreditava que o Zu tivesse ido mesmo embora, a todo instante voltava ao corredor para conferir se ele havia voltado a respirar, mas o corpinho dele foi enrijecendo e tivemos a certeza da sua partida.

Acredito que ele tenha tido um problema cardíaco, apesar da gravidade do seu problema na coluna. Acho que, se tivesse partido em decorrência desse problema, teria sofrido por alguns dias, teria soltado pelo menos um gemido, mas nada disso aconteceu. Ele simplesmente dormiu... Certamente foi uma linda passagem para ele, pois não houve sofrimento, não houve dor. Até ontem ele estava levando uma vida absolutamente normal, demonstrando aquela felicidade que era a sua marca registrada. E hoje partiu assim, tão de repente...

Tenho certeza de que São Francisco veio buscá-lo pessoalmente. Certeza absoluta. O Zu foi um grande vencedor, o guerreiro mais corajoso que conheci em toda a minha vida. Nenhum problema foi capaz de roubar sua felicidade. Por ter passado por essa vida de forma tão serena e feliz, apesar de todas as adversidades, tenho certeza de que São Francisco esteve com ele nos momentos finais de sua estada aqui na Terra. Não consigo ver outra explicação para essa passagem tão serena, sem dor ou tristeza (para ele, porque para a gente está doendo bastante).

Agradeço a todos os amigos que estiveram do nosso lado durante todos esses anos, os amigos que conhecemos em 2004, quando o adotamos, e os amigos que fomos conhecendo no decorrer desses anos. Agradeço por tudo: cada palavra carinhosa, cada gesto de amizade, tudo.

Agradeço também ao meu pai, por ter cuidado tão bem do Zu. Como disse para ele hoje de manhã, se não fossem seus cuidados intensivos, o Zu já teria partido há muito tempo.

Ele cuidava do nosso negão em tempo integral, com dedicação exclusiva. Sem contar com as invenções para melhorar a vida do Zu (cadeiras de roda, fisioterapia na praia etc).

Enterramos o nosso amiguinho ao meio-dia em um cemitério muito bonito, no estilo "Jardim da Saudade", com plaquinhas indicando os nomes dos cachorrinhos e gatinhos que repousam ali. Cheguei a tirar fotos do local com o celular e até pensei em ilustrar essa despedida com a imagem do local onde o Zu descansa agora, mas achei melhor encerrar nosso flog com essa imagem linda de São Francisco, meu padrinho, padrinho do Zu, que agora com certeza está cuidando do nosso negão. Posso vê-lo correndo por esse jardim com suas quatro patinhas, feliz como sempre.

Quem quiser falar comigo, continuarei mantendo a comunidade "Eu amo o Zulu Fofinho", criada pela amiga Rose Picardt. Não mexerei mais no flog, mas ele ficará aqui, com todas as fotos do Zuzinho, para que a gente possa matar a saudade sempre que quiser.

Peço que, por favor, orem pelo meu pai para que ele possa superar essa imensa dor. O Zu era a companhia dele e tem sido muito, mas muito difícil.

Fiquem com Deus e até breve.


** Texto publicado no http://www.fotolog.com.br/zulu_fofinho/10682225

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O SIGNIFICADO DA PALAVRA GRATIDÃO


Por Ana Suely

Sempre tive adoração por cachorro, especialmente os SRD*.  Há 15 anos atrás eu já tinha um, o Bingo, um cachorrinho que tinha ganho de uma tia. Ele era uma pestinha que fazia xixi em todos os lugares (onde não podia). Estava feliz em já ter que cuidar dele.

Minha filha, à época, tinha uns 10 anos e ao chegar em casa viu na vila um cachorrinho preto, bem magrinho  mas que estava todo serelepe, e pediu para pegar. Eu não queria mais nenhum, pois não tinha casa própria e já tinha sido um sufoco achar um lugar onde pudesse levar o Bingo. Quem vive de aluguel e tem um bicho que ama sabe o que falo.

Dois dias depois ao sair de casa vejo um cachorrinho deitado num jornal (que uma boa alma colocou) com um pote de água. Cheguei perto pra ver e notei que a pata traseira dele estava quebrada e bem roxa. Uma senhora me disse que ele estava com dores, mas ela não poderia ficar com ele e fez o que podia. Cheguei pertinho dele e vi que era ELA. Estava com tantas pulgas e carrapatos que mesmo eu que sou louca por bicho fiquei com medo de colocar no colo. Esqueci prontamente minhas preocupações com futuras mudanças e me enchi de coragem pra enfrentar meu marido com mais essa "loucura". Minha filha ficou radiante e até meu marido se compadeceu do estado da bichinha. Era tão magra que se contava todos os ossos. Meu marido escolheu o nome FININHA pelo estado dela.  Levamos logo numa veterinária que atendia de graça (ainda tem gente do bem) a quem recolhe cachorros de rua. Ela disse que a pata deve ter sido quebrada por alguma pessoa, pois não tinha mais nenhum arranhão no corpo, o que seria normal se tivesse sido atropelada. Depois de cuidarmos dela conforme prescrito pela médica a levamos de volta para que fosse castrada, pois tinha o Bingo e não poderia ficar com mais algum caso quisesse continuar casada! (risos)

Minha Fininha foi crescendo e ficou uma cadela maravilhosa. Era doce demais comigo, meu marido e minha filha, mas com qualquer outra pessoa ela queria avançar. Nunca nem rosnou conosco. Lembro a primeira vez que comprei um ossinho de limpar dentes para ela. Ela correu, sentou na caminha e ficou me olhando como se estivesse perguntando se aquilo tudo que ela vivia era verdade.  Acho que era o trauma do que passou na rua.

O Bingo e ela ficaram super amiguinhos, menos na hora da ração, pois ela comia a dela rápido e ia tentar comer a dele também.

Quando andávamos com ela na rua várias pessoas perguntavam a raça, pois ela tinha um porte lindo.

Faz 3 anos que meu Bingo foi pro céu e ,exatamente  um ano depois a Fininha foi se encontrar com ele. Ela teve um câncer, mas não tinha mais como tratar. No último mês de vida muitas pessoas perguntavam porque eu não sacrificava, pois ela já não andava e fazia todas as necessidades no chão, o que cansava muito pois ela era enorme.  Me questionava: "  se fosse minha irmã ou parente eu sacrificaria?" Claro que não, então porque fazer isso com quem foi minha companheira fiel por tantos anos...



Os últimos momentos dela foram para mim dolorosos, pois tinha a impressão que ela não queria ir para não me deixar sozinha. Seu último olhar e suspiro guardo tão nítido como uma foto. Ela me olhou com aquele mesmo olhar de quando ganhou seu primeiro ossinho.

Nunca esqueço meus dois amores, Bingo e Fininha. Tenho foto deles no quarto até hoje.

A dor diminui, pois agora já tenho um novo SRD que me dá também muito carinho.

Todo mundo deveria pegar um cão de rua e nunca mais esqueceriam o significado da palavra gratidão.

* Sem raça definida.

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domingo, 29 de maio de 2011

QUANDO ADOTEI THEODORO


Por Priscila Morelatto

Era manhã de sábado, 23 de abril de 2005. Eu tinha acabado de chegar no trabalho. Minha mãe na época tinha uma banca de jornal, e nós revezávamos. Naquele dia eu que tinha ido abrir a banca. Ficaria aberto até a hora do almoço mais ou menos. Quando cheguei, de manhã, comecei a varrer a calçada e nisso um cachorrinho, pequeno, frágil e assustado, passou por ali. Ao me ver com uma vassoura na mão se encolheu, acho que com medo de que eu fosse bater nele. Me deu dó. Mas tentei esquecer e voltei ao trabalho. A manhã passou e na hora do almoço baixei as portas. Eu voltava a pé para casa. E numa certa altura do meu caminho de volta, quem eu encontro? O mesmo cachorrinho. Não resisti. Me aproximei dele, com cuidado por não saber se ele era bravo ou não. No início ele rosnou um pouco, mas depois aceitou meu carinho. Peguei-o no colo e o trouxe para casa. Ele estava sujo, malcheiroso, mal alimentado, cheio de sarna e com o cotozinho de rabo torto, certamente resultado de uma fratura.

Eu lamentava, mas sabia que não poderia ficar com ele. Na época eu já tinha uma Husky com quase 9 anos de idade, a Breda, e minha mãe não ia gostar de ter outro bichinho em casa. Minha ideia era tirá-lo da rua, cuidar dele, e torcer pra algum vizinho ou conhecido adotá-lo. Levei-o ao veterinário, que disse que ele devia ter uns 6 anos de idade. Apesar da pouca idade, faltavam muitos dentes, resultado da má alimentação/desnutrição que ele viveu nas ruas. Eu e minha avó, que mora comigo, cuidamos do Théo, demos banho, remédios, vacinas, vermífugo... ele sarou, engordou.

Claro que enquanto o Théo estava "de quarentena" ficou separado da Breda, em outro quintal, para que a sarna dele não passasse para ela. Ninguém quis adotar o Théo; mas isso foi bom, pq eu e minha avó -o resto da casa tb, mas nós duas principalmente- fomos nos apegando muito a ele. E assim ele acabou ficando aqui em casa.

As ruas deixam sequelas profundas nos animais. O Théo tem o rabo quebrado, várias cicatrizes, e tem a coluna meio torta. Eu nunca saberei ao certo o sofrimento que ele enfrentou na rua. Mas o que importa é que hoje ele vive aqui comigo e recebe todo o cuidado e carinho. Há cerca de um ano ele perdeu a visão de um olho em consequência de um glaucoma. Preciso pingar um colírio todos os dias no olhinho doente dele para que ele não sinta nenhum desconforto. Fico pensando como seria se ele estivesse na rua, tadinho... Que bom que o encontrei. Ele me deu 5 presentes, 5 filhotinhos que teve com uma cachorrinha que era da minha tia e que tb acabei adotando. Não tive coragem de doar nenhum, castrei e fiquei com todos. Hoje a Breda mora no céu, mas o Théo e sua linda família continuam me dando muitas alegrias.

Adotou um animalzinho de rua? Mande o seu depoimento para bichinhosprecisamdelar@gmail.com Ficaria muito feliz em publicá-lo.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

LIÇÕES DE VIDA


 Dollores

Por Sheyla Azevedo

Uma das primeiras lições de vida das quais recebi dos meus pais - e nunca me esqueci - foi sobre respeitar os outros e aí incluam-se os outros animais. Devia ter uns quatro para cinco anos e estava com uma mania de toda vez que via um gatinho ou um cachorrinho deitados no chão, atravessava-os como se estivesse passando por um pneu fincado no chão do parquinho. Não deu outra, numa dessas vezes, errei nos cálculos e pisei na cauda do cãozinho. Ele reagiu me mordendo. Meus pais não fizeram nada com o cão. Mas me deram uma baita de uma bronca, dizendo que eu não podia arriscar machucar nenhum animal, mesmo que fosse numa brincadeira inocente. Lição absorvida.

Sempre tive muita atração por bichos. Pouco medo também. Às vezes até penso que deveria ter sido veterinária. Em reportagens que tive a oportunidade de fazer já peguei em cobra, jacaré, filhotes de leão e onça. Bom, mas eu quero mesmo é falar da experiência gratificante de preservar essa amizade e de criar vínculos com os outros seres que não sejam humanos.

Desde sempre cultivamos o convívio com animais domésticos em casa. A primeira foi uma cadelinha SRD+pequinês cor de tijolo chamada "Xuxa" (ok, ok, confesso que um dia eu quis ser paquita). Ela morreu velhinha. E, um mês depois, seu "companheiro" Kiko, um gato bochechudo (ok, ok, mais uma influência midiática, dessa vez vinda do seriado mexicano "Chaves"), que já tinha 12 anos de convivência pacífica com ela, morreu de saudades. Depois deles, sendo um de cada vez, passaram por casa, Mingo; Nina Lucy Fredericka e a Mel. Todos eles morreram de morte trágica, alguns vítimas da maldade humana.

Quando a Mel morreu percebi que mamãe estava muito carente e de vez em quando batendo uns papos com as samambaias e até com a geladeira. Ela resistia à idéia de ter novamente bichos em casa. Mas insisti e minha amiga Waleska disse que ía providenciar "uma gatinha" para a gente, que viria de uma ninhada de siameses. Não fazemos restrição de sexo, não temos preferência por machos ou fêmeas, não implicamos com cor ou raça e também sob hipótese alguma compramos animais. Dois dias depois chegou o Fellini (sim, um gato, até hoje não entendi esse mistério, nem questionamos nada com ela) em nosso lar. Cerca de dois meses, meio assustadinho e muito educado. A primeira coisa que fez foi fazer as necessidades fisiológicas na bacia higiênica que já havíamos preparado para ele. Ganhou mamãe na hora! Fellini é um dos animais mais inteligentes que já convivi. Aprende fácil as coisas, tem uma capacidade incrível de se comunicar, e se adaptou bem ao banho, a passear com guia, é manso, muito contemplativo, não dá trabalho para tomar remédio, o comportamento pacato conquistou o veterinário (que admitiu que preferia cachorros) e seus esportes prediletos são, nessa ordem, dormir, brincar de esconde-esconde, dar lambidas na gente e fazer dois passeios diários por dia. E ninguém estranho ao nosso lar jamais vai poder presenciar as coisas incríveis que ele faz, como tentar abrir a porta puxando o trinco, rolar no tapete e dar cambalhotas no ar com mosquitos imaginários. Porque ele é o gato mais matuto e recluso do mundo e, basta ouvir a voz ou sentir o cheiro de alguém estranho, que se esconde debaixo da cama ou em cima do guarda-roupa. Eu podia fazer mil parágrafos sobre as coisas que aprendo com Fellini, sobre o prazer que é ter um serzinho tão amoroso na minha vida. Mas tenho outras histórias para contar.

 Fellini

Dollores apareceu da noite para o dia perto de casa. Estava tão maltratada, tão cheia de sarna e feridas que causava repugnância em alguns e, muita angústia em mim. Precisávamos matar um pouco de sua fome desesperada. Mas era pouco. Passei uma noite em claro pensando que precisava fazer alguma coisa. No dia seguinte, Dollores tomava seu primeiro banho. Deu um pití ameaçador para tentar me intimidar a não passar o sarnicida, mas não funcionou. Com o tratamento contínuo e diário, em uma semana as feridas já tinham sarado e ela parava gradativamente de se coçar. Os pelos começaram a crescer e ganhou peso. Fiz uma foto dela, botei num cartaz, levei para o trabalho e fiz uma campanha para arrecadar uma grana para a cirurgia de castração. Algumas pessoas torciam o nariz, outras riam de mim, outras ajudaram. Consegui a metade da grana e bancamos o resto. Foi um presente que me dei poucos dias antes do meu aniversário no ano passado. O veterinário disse que ela deveria ter uns seis meses mas, estava tão desnutrida e debilitada que ainda não tinha chegado à maturação para entrar no cio. Depois disso pedi ajuda ao Marcelo para a gente conseguir um lar definitivo para ela aqui no bichinhos precisam de lar, mas ninguém apareceu. Teve até uma amiga que desistiu na última hora de leva-la para casa, porque no meio do caminho, quando vinha buscá-la encontrou uma gatinha filhote atropelada. Não dava para competir né?

Desisti de dá-la para adoção. Começava o processo de adaptação com o Fellini que, nessa altura do campeonato, estava arredio, ciumento, agressivo e irredutível com a presença de um novo ente na família. O processo foi longo. Primeiro arrumei um "barraco" para ela na varanda, onde ela dormia e comia. Sem contato físico com ele. Mas isso a deixava exposta e me incomodava. Até que um dia chovia muito e ela saiu da varanda e foi bater na janela do meu quarto. Botei-a para dentro e assumi as consequências da ciumeira do primeiro. Posso dizer que até hoje ainda rolam umas rusgas entre os dois que ora parece briga, ora parece brincadeira. Eles não se bicam muito bem. Mas Dollores está definitivamente na minha casa e no meu coração. Depois que ela se recuperou dos maus tratos e das enfermidades se transformou num belo animal.
Onde lhe faltavam pelos hoje tem em excesso. Ela é muito bonita mesmo, não é exagero de protetora. Eu sou absolutamente apaixonada por ela. Embora ela me esnobe e reclame das minhas abordagens digamos, exageradas, de dar cheiro e botar no braço. Dollores tem personalidade forte, não gosta de ser contrariada e é muito independente. Tem dificuldades em lidar com contato físico. Acho que apanhou muito e foi maltratada porque às vezes, do nada, ela se esquiva quando nos aproximamos como se estivesse se defendendo. Mas, no geral ela é relaxada e despachada e já mudou bastante. E dá umas cabeçadas na gente como demonstração de afeto e reverência. A última vez que a pesamos estava com 4,5 kg. Ela é a prova viva de que com amor, paciência e cuidados a gente pode reverter um quadro de dor e abandono.

 Otto

Também falaria muito mais sobre ela, mas, ainda tem o Otto. Ele perambulava pelas redondezas desde que chegamos no nosso lar atual. É um gato de porte grande, castrado, parecia que tinha dono. Mas não tinha. Passamos a alimentá-lo (ração e água) escondidos das pessoas que tinham muito preconceito com ele. Ele era muito sujinho e maltratado e, infelizmente, nem todo mundo se sente responsável por esse tipo de crueldade e abandono que fazem com os animais, especialmente os gatos. Mas foi ele quem foi me conquistando. Como eu não o repelia, ele passou a me seguir para onde ia e me dava umas arranhadas nos pés, como se tivesse querendo chamar a minha atenção. Passei a acariciá-lo, conversar um pouco com ele e ganhando confiança. Aos poucos fui trazendo ele para comer dentro de casa porque as vasilhinhas que eu espalhava pelo condomínio para alimentá-lo desapareciam praticamente todos os dias, por algum vizinho incomodado. O primeiro banho que eu dei nele foi incrível. Otto demonstrou muita tolerância àquele estresse e mudança de sua rotina, ganhou uma cor laranja viva e brilhante e dormiu por cerca de umas oito horas seguidas, como se estivesse aliviado. Mas continuava dormindo fora. Daí, no Natal do ano passado, minha mãe arrefeceu e aumentamos a família e o número de vasilhas fixas de gatos espalhadas pela cozinha da casa. Ele está velhinho. Dorme e ronca muito. Tem mania de ficar em cima da minha escrivaninha. Se não tomar banho com uma certa periodicidade fica fedorento pra caramba, por conta dos dentes estragados, e ainda por cima é babão, e ainda não aprendeu a fazer as necessidades na bacia higiênica e faz no ralo do banheiro. E eu o amo e tento compensar todos os anos que ele passou sem um lar e sem carinho. E quando ele me olha, eu sinto que ele entende que agora não está mais sozinho. É o mais obediente da casa.

Daí, todos os dias de manhã cedo eu saio para passear com o Fellini na guia e o Otto e a Dollores saem juntos. Embora eles não estejam presos a mim por uma coleira ou corrente, nenhum deles sai de perto. E, quando eu volto para casa, todos eles vêm atrás, sabendo que ali é o seu lar, que ali ninguém vai bater neles, que eles têm cama mesa, banho e um sono tranquilo longe dos carros, da chuva, do sol quente e de gente que não tem vergonha de ignorar ou maltratar os animais. E eu, quando me apercebo que tenho em casa uma "ruma" de gato, penso no quanto eu sou feliz nesse exercício cotidiano de sair da zona de conforto; de aprender com eles a exercitar amor, cuidado e preocupação. Meus gatos me melhoram. Quero finalizar falando uma frase da Clarice Lispector que nos faz lembrar da nossa "selvageria" intrínseca: "Não ter nascido bicho parece ser uma de minhas secretas nostalgias".

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