sexta-feira, 26 de novembro de 2010

AMOR, ALEGRIA E COMPREENSÃO

Piluca

Por Mylena Araújo

Bem, nunca consigo, nem nunca conseguirei expressar em palavras o amor que sinto pelos meus filhotes (os que já se foram, os que continuam e os que ainda virão!).

Eles são pra mim minha família, meus filhos, meus amores.

Abdico de tudo por eles. Abdiquei de ter uma casa arrumadinha, com meus vasos, meus tapetes, minhas cortinas, meu sofá (ah meu sofá...). Há muito tempo não recebo uma correspondência inteira, nem mantenho mais minha coleção de gibis. Mas não me arrependo! Prefiro sair com meus chinelos roídos, minha bolsa babada e minha roupa estampada de lama e capim, sabendo que ao retornar serei esperada com mais amor do que quando saí!

Esqueço tudo: o mundo, os problemas, as contas e até mesmo as horas quando estou com meus amores. Sei o que cada um quer me dizer, o que cada um está sentindo, apenas pelo olhar. É realmente a sintonia de uma mãe com seus filhos.

Prince

Minha história de adoção começou com meu pequeno Prince, um York, que na época tinha pouco mais que um ano. Minha irmã iria se mudar para os EUA com o marido e grávida não podia levá-lo... ele precisava de mim e eu dele.

Ele se tornou minha fortaleza, é tanto que dois anos depois tomei a decisão de morar fora da casa de meus pais, não sozinha...eu e ele, um fazendo companhia ao outro! Ele tomou o papel de filho de verdade... todos os dias eu ia deixa-lo na casa da vovó enquanto eu ia trabalhar.

Ele me ajudou a crescer, podemos dizer que me tornei uma adulta um pouco mais responsável por causa dele.

 Pililiu e Pilola

Depois de um ano só eu e ele, decidi dar uma irmãzinha para ele e foi ai que veio Pililiu, uma mocinha que conseguiu me enganar, pois se fez de boazinha e hoje é uma peste, rsrs. A vizinha de uma amiga estava desesperada pois criava muitos gatos e haviam nascidos outros que não teriam destino certo, pois ela não tinha condições nem do próprio sustento!

Dentre 5 gatinhos Pililiu era a mais magrinha, pequenininha e a que teria menos chance... ela precisava de mim e nós 2 dela!

Agora éramos uma família de três. Até que com pouco tempo fui a clinica para castrar Pililiu e conheci Pilola, uma madame cheia de requinte, porém muito sofrida! Ela estava internada com tumores nas mamas devido a aplicação de anticoncepcionais dados por sua antiga "familia" e como se não bastasse o sofrimento a "família" desistiu dela por não saber lidar com o problema. Sorte minha!! Me apaixonei por ela e queria tirá-la daquela gaiolinha o mais rápido possível... ela precisa de mim e nós 3 dela!! Assim passamos a ser 4.

Até que Prince adoeceu e no dia 08 de fevereiro deste ano meu Prince veio a falecer... quis parar o mundo e traze-lo de volta, era um pedaço do meu coração indo embora sem dar adeus! Um adeus que eu jamais aceitaria!

Mas aprendi que as coisas só acontecem porque precisam acontecer, as coisas na vida seguem uma ordem com uma perfeição tão minuciosa que quando conseguirmos entender vemos como são necessárias! Meu Prince tão amado saiu de cena para que outro cãozinho que estava perdido, doente e precisando muito mais, tivesse a oportunidade!

E foi assim que aconteceu... naquele mesmo dia 08, Cris e Marcelo, encontraram um cãozinho num estado deplorável, pedindo socorro!

 Paco Piu antes

Não julgo como coincidência, nem sinal... apenas aconteceu porque tinha de acontecer... a vida é assim! Algumas coisas na vida cumprem seu papel, sua missão, fazem sua parte e se vão, para que outras coisas aconteçam! E nesse dia terminou uma vida para recomeçar outra... ele precisava de mim e nós 3 mais ainda dele!

Paco Piu atualmente

Ele antes já teve sei lá quantos nomes, o último era Zico, hoje Paco Piu, assim como meu Prince, me ensina a viver melhor! Ele me dá dicas e me põe em situações de teste, provações onde eu tenho a opção de desistir ou seguir. Com ele aprendo cada dia a ser mais forte, paciente, tolerante e a amar incondicionalmente, aconteça o que acontecer. E eu o amo... com muita força!

Minha vida se tornou uma loucura depois que Paco Piu surgiu, mas com certeza sou mais feliz assim.

Enfim continuamos 4 até que há pouco tempo surgiu Piluca, uma bola de pêlos preta de um olho só! Estava na clinica para adoção com poucos meses de vida, após ter sofridos maus tratos e ter perdido o olho direito.

Um único comentário foi suficiente para que eu decidisse te-la conosco: "Coitada, além de preta é caolha, ninguém nunca vai querer!". Mais uma vez, sorte minha! Ela precisava de mim... e nós 4 é claro precisávamos dela tambem!

Enfim... foi uma luta porque de inicio os irmãos enciumados não a aceitaram...mas com jeitinho, paciência e alguns meses de "luta" eles se aceitaram todos como sendo da mesma família, cada um com suas características e suas diferenças.

Hoje nós somos 5, todos precisando uns dos outros (eu mais deles do que eles de mim, acredito) dentro de apartamento que cheira a cachorro, com nosso sofá rasgado, cheio de sapatos roídos, sem cortinas, sem tapetes, mas que transborda amor, alegria e compreensão.

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8 comentários:

  1. OOOohhhh ainda não conhecia a familia toda! Que lindos! Te falo com toda a certeza: o Fubika e o PacoPiu são primos pois além de serem parecidos no design ambos sâo pimentinhas que saem por ai distribuindo alegria e fazendo bagunça.

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  2. Depoimento emocionante. Parabéns pela atitude de adotar, pessoas assim nos fazem acreditar no amor ao próximo e principalmente aos animais, tão esquecido nos dias de hoje. Belíssima família. Deus abençoe a todos!

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  3. Emocionante mesmo. Se mais pessoas sentissem e pensassem como Mylena, abrindo sua casa e seu coração para animais que normalmente são rejeitados, certamente haveria muito menos sofrimento por aí.

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  4. Como a Mylena não consegue viver sem os 5 dela, eu não consigo viver longe dos meus nove gatinhos! Eles são a minha alegria de todos os dias! lindo o texto, emocionante!!

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  5. Quando perdemos um parece que nossa vida acaba, mais depois descobrimos quê o que perdemos virou estrela e o que chega é nossa estrela. Mylena fiquei apaixonada pela sua história, tenho cinco amores e cada um eu entendo pelo olhar os outros dois esperam alguém como nós pra adotar.

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  6. Importante demais a publicação dessas históriAS de vida. Aos poucos vamos passando nossas experiencias e conhecimento pra outras pessoas.
    Como faço pra postar aqui a minha, com meu filho adotivo ROMEU?

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  7. Carmen, seria um prazer publicar a história de Romeu. Mande um e-mail para bichinhosprecisamdelar@gmail.com (meu nome é Marcelo)

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  8. Cynthia Chavarria18 de maio de 2012 11:18

    Mais uma fez um depoimento deste site me fez chorar! QUe lindo, Milena. Também tenho três filhotas: duas gatinhas, tiradas das ruas, e uma cadelinha, adotada da Ong Patamada. Não tenho mais sofá e minha casa vive desarrumada, mas tenho a alegria do olhar delas, o carinho, as brincadeiras. Acordo todos os dias de manhã com a lambida da minha Piaba, ou com o beijo de nariz da minha Luna Mu ou com o ron-ron-ron da minha Senhorita Bigodes. E cuide e peço todos os dias pra elas serem saudáveis e felizes.

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